Programação

Curso de História do Rio de Janeiro :: Dja Guata Porã | Rio de Janeiro indígena

16 de setembro de 2017 | 10h às 13h
O curso faz parte do programa Arte e Cultura Visual da Escola do Olhar do Museu de Arte do Rio, e promove a cada edição uma imersão no panorama diversificado do pensamento contemporâneo sobre a história do Rio de Janeiro. Nesse ciclo relaciona-se com as discussões apresentadas na exposição Dja Guata Porã | Rio de Janeiro Indígena.

O curso baseia-se na linha do tempo presente na exposição visualmente apresentada como uma cobra grande. A linha possui quatro tempos: Tempo da Autonomia, Tempo da Invasão, Tempo da Usurpação e Tempo das Retomadas. Em cada um estão contextualizados conceitos, períodos e acontecimentos que marcam e estabelecem transformações das culturas indígenas brasileiras. Como apontamos a seguir:

>> Tempo da Autonomia
O território onde se encontra o Brasil já era ocupado por povos que teriam migrado do noroeste da Ásia a milhares de anos. No momento da invasão europeia essa população somava aproximadamente 10 milhões de habitantes, segundo estimativas dos especialistas em demografia histórica. Nessa aula o professor Marcelo Lemos irá abordar a presença e ocupação indígena no território onde hoje está o Rio de Janeiro antes da invasão portuguesa.

>> Tempo da Invasão
O início da invasão portuguesa no território que hoje chamamos de Brasil foi marcado pelo estranhamento mútuo entre culturas tão distintas, a europeia e as indígenas. Nas primeiras décadas que se seguiram a invasão a coroa portuguesa não implementou medidas significativas de colonização mas propôs diferentes formas e organização e cooptação desses povos que aqui estavam. Esse é o tema da segunda aula proferida pelo professor e curador da exposição José Ribamar Bessa.

>> Tempo da Usurpação
Maior tempo histórico presente na exposição debruça-se nas ações de apagamento e usurpação de território, línguas e costumes impetradas a partir do período colonial. A aula será ministrada pela professora e pesquisadora da exposição Ana Paula da Silva.

>> Tempo das Retomadas
Organizada a partir da articulação e mobilização do movimentos indígenas brasileiros no contexto da constituinte de 1988, a aula debruça-se sobre as disputas e reivindicações de direitos que seguem até os dias atuais e será ministrada pelo professor e antropólogo Marcos Albuquerque.

Sobre os palestrantes
Marcelo Sant' Ana Lemos
É carioca e apaixonado pelo Rio de Janeiro.
Formado em Geografia pela UERJ (1986), foi professor do Colégio Pedro II (1993- 2011) e professor estadual (1988-1993 e 1999-2006).
Mestre em História pela UERJ(2004).
Especialista em história dos bairros e do Município do Rio de Janeiro, trabalhando com diversas escolas da rede pública e particular em trabalhos de campos sobre a temática local. 
Escritor de livros tem se dedicado a questão indígena do Sudeste, sendo o último com o título "O índio virou pó de Café?",  lançado pela Paco Editorial (2016).
Tem proferido diversas palestras sobre a temática indígena, particularmente da etnia Puri, em Universidades(UENF, UFV, UNB,UERJ, etc.), Museus  e  Centros Culturais(Museu Ginásio São José - Ubá/MG, Casa da Cultura de Conservatória, Casa Lea Pentagna - Valença/RJ, Museu da Justiça do Rio de Janeiro, IPHARJ), e em escolas e IFES, nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Jose Ribamar Bessa 
É professor da Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-Rio), onde orienta pesquisas de doutorado e mestrado e da Faculdade de Educação da UERJ, onde coordena o Programa de Estudos dos Povos Indigenas. Graduação em Comunicação Social pela UFRJ, Especialização em Sociologie du Développement pelo IRFED, França (1971-72) e Doutor em Letras pela UERJ. Cursou o doutorado em Historia na École Des Hautes Études en Sciences Sociales, EHESS, França. Foi professor no Programa de Maestria da Universidad Nacional de Educación, em Lima, da Faculdade de Educação da PUC-Peru e da Universidad Particular Ricardo Palma (1974-1976), bem como da Universidade Federal do Amazonas (1977-1986). Ministrou módulos em cursos de pós-graduação de várias universidades públicas: UFAM, UFAC, UFRr, UFF, UFG, na Escola da Magistratura (EMERJ) e em Licenciaturas Interculturais: UFSC, UFMG, UEA. Ministra cursos de formação de professores indígenas em diferentes regiões do Brasil, assessorando a produção de material didático. Desenvolve pesquisas na área de História, com ênfase em História Indigena e Historia Social da linguagem. Escreveu, organizou e coorganizou vários livros, entre os quais Rio Babel - a história das línguas na Amazônia ( 2011-2a. edição), Políticas de línguas no novo mundo (2012), Essa Manaus que se vai (2012), Línguas Gerais - Política Linguística e Catequese na América do Sul no Período Colonial (2003), Os Aldeamentos indígenas do Rio de Janeiro (2009 - 2a. edição), Os índios em Arquivos do Rio de Janeiro (1995-1996), A Amazônia no período colonial (2008 - 7a. edição), Cem anos de Imprensa no Amazonas (2a ediçao 1990) , além de capítulos de livros e artigos em revistas especializadas no Brasil, Perú, Colômbia, Equador, Venezuela, México, França, Alemanha, Itália e Japão. Mantém coluna semanal em jornais do Amazonas desde 1984 aos dias de hoje.

Ana Paula da Silva
É Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Memória Social, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (PPGMS-UNIRIO, 2016). Mestre em Memória Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO, 2011). Licenciada em História pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ, 2007). É pesquisadora do Programa de Estudos dos Povos Indígenas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PROINDIO/UERJ) e do Laboratório de Pesquisas em Oralidade (LABORAL/UNIRIO). Atua como formadora na Ação Saberes Indígenas na Escola (ASIE), Núcleo UERJ-UFMG. Tem experiência na área de História do Brasil, com ênfase em História Indígena, atuando principalmente nos seguintes temas: História, Educação e Saberes tradicionais indígenas.

Marcos Albuquerque
É doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professor Adjunto no Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais (PPCIS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pesquisa Etnicidade, Performance, Antropologia da Arte e Antropologia Visual. Sua produção acadêmica, e de vídeos etnográficos, enfoca o sistema da arte étnica, principalmente entre indígenas em contexto urbano. Recebeu cinco prêmios nacionais pela sua produção videográfica. Sua tese de doutorado ganhou a menção honrosa do Prêmio Capes de Tese (2012).

O curso é gratuito e aberto a participação de todo público - estudantes, professores, historiadores, pesquisadores e interessados em geral pela história da cidade.

Inscreva-se aqui.

Local: Escola do Olhar.