Exposições atuais

O nome do medo | Rio de Janeiro

Rivane Neuenschwander

em colaboração com
Guto Carvalhoneto

curadoria
Lisette Lagnado 

A arte não tem medo da infância

Se tomarmos a arte como um campo aberto de construção de linguagem, e se considerarmos que nas crianças o aparato da linguagem apresenta-se ainda em formação, também aberto e flexível, poderemos supor que nelas se dará a primazia do usufruto da arte: é na infância que a arte terá chances de operar de forma mais radical, como resposta à proposição de um outro.

Desde as profundas transformações da arte que se processaram no século XX, a criança, ao lado dos loucos e dos ditos “povos primitivos”, tornou-se uma referência fundamental dessa potencialidade à ressignificação através do olhar do outro à qual a arte não cessa de nos convidar. O reconhecimento dessa potencialidade nos dá hoje a liberdade, por exemplo, de renovar emocionados nosso olhar sobre a arte criada nas cavernas pelo homem pré-histórico, perpassando seu sentido por toda a história humana até os dias atuais.

Em "O nome do medo", Rivane Neuenschwander, operando nos interstícios da palavra e da imagem, disponibiliza seu instrumental poético para um mergulho na história e na experiência do outro – crianças reunidas em oficinas no Museu de Arte do Rio e na Escola de Artes Visuais. Tendo como elemento detonador o medo e a elaboração textual e visual de seus universos íntimos, essas crianças – com a reelaboração de todo o material pela artista – fazem emergir aos nossos olhos as funções renovadas e renovadoras da arte ao gerar meios individuais e coletivos de criação de aparatos de linguagem para a nomeação e reinvenção do mundo.

Reinventado, revivido e renomeado, trata-se do único mundo a que temos acesso – o mundo humano, aquele criado por nosso olhar. Outros existirão, mas, intocados ou inabarcados pela linguagem, permanecerão para sempre invisíveis.

O MAR sente-se agradecido por este projeto proposto por Lisette Lagnado e realizado em parceria com a Escola de Artes Visuais do Parque Lage e vê nele ressoarem alguns dos princípios importantes de sua trajetória e plataforma: aqui também não se tem medo da liberdade da infância, porque sabemos da arte o poder de nomear e refazer o mundo e seus medos.

 

Evandro Salles
Diretor cultural
Museu de Arte do Rio – MAR

* As capas só podem ser vestidas por crianças de até 13 anos.
 

  • Foto: Elisa Mendes

  • Foto: Elisa Mendes

  • Foto: Elisa Mendes

  • Foto: Elisa Mendes

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