Reserva Técnica

O Museu de Arte do Rio – MAR, sob a gestão do Instituto Odeon, inaugurou em 25 de março de 2017 sua nova reserva técnica. A necessidade de ampliação do espaço foi fruto da bem-sucedida formação de seu acervo, que conta hoje com seis mil itens museológicos, 6.025 arquivísticos, 12.180 bibliográficos, dos quais 1.481 são livros de artistas. É a primeira coleção de arte concebida para o município do Rio de Janeiro. O novo espaço, que contou com o patrocínio do BNDES para as obras de expansão, vai apresentar ao público uma área visitável. Um cubo de vidro permitirá que os visitantes possam conferir o que acontece lá dentro.

A nova reserva técnica foi pensada também para ampliar ainda mais o projeto educacional do MAR. Ela terá, assim como as demais áreas da instituição, um importante papel de formação, tanto museológica, como a de mostrar a importância da conservação da memória da sociedade por meio de obras de arte, objetos históricos e da cultura visual. Visitas guiadas serão agendadas para o público comum e também para estudantes.
O atual acervo do MAR – formado a partir da linha curatorial de Paulo Herkenhoff –  conta com obras de vários artistas, mas também possui objetos que representam o patrimônio cultural da cidade. E a organização desse acervo foi criada especialmente para dar conta de material tão vasto culturalmente. Ele é dividido em núcleos significativos, uma maneira de reunir diferentes obras e documentos que se relacionem de alguma forma. Como exemplo, há o núcleo da escravidão. São documentos, peças e gravuras históricas, até obras de artistas contemporâneos que abordam o tema. Ou o núcleo Urbanismo, que reúne desde obras de arte até placas da cidade.
O acervo conta com obras de arte contemporânea, mas também históricas. A imagem de “São José de Botas”, de Aleijadinho, é um dos destaques do acervo. O MAR é o único museu do Rio com uma obra do artista mineiro. Ao lado de Aleijadinho, há trabalhos de nomes emblemáticos da arte moderna, como Tarsila do Amaral, Guignard e Pancetti.

O acervo e o projeto expositivo
A frase “colecionar para exibir e exibir para colecionar” diz muito sobre a relação do museu com seu acervo. A exposição “Pororoca” (2014), por exemplo, surgiu a partir da enorme coleção de obras relacionadas à Amazônia. Com cerca de 500 objetos provenientes de mais de 50 doadores, o conjunto é o mais completo acervo do gênero fora da região, cobrindo uma diversidade cultural que atravessa a tradição dos povos indígenas, o ribeirinho e a modernidade. Foi constatado então em 2014 que a riqueza de tal núcleo significativo merecia uma mostra.
E esse núcleo acaba de ser ampliado. O artista Alexandre Sequeira – com individual em cartaz no museu até julho – doou todas as suas obras expostas para o acervo do MAR. Foi a primeira vez que o material de uma exposição foi integralmente doado para o acervo do museu. Uma relação de confiança entre o artista e a instituição.

Referência na obra de nomes importantes da arte
Ter suas obras como parte do acervo é uma garantia de preservação e extroversão. Pensando nisso, o MAR estabeleceu relações importantes que fazem parte dos projetos responsáveis pelo importante papel das doações. Assim também o MAR se torna referência de determinados artistas, como Alexandre Sequeira, Maurício Dias e Walter Riedwig.
Não só os artistas confiam no museu para preservação de seus trabalhos. As famílias de nomes importantes no panorama cultural brasileiro também enxergam nessa relação uma forma de preservar a memória de seus familiares por meio da conservação de suas obras no local. O MAR é atualmente referência também para obras de Kurt Klagsbrunn, que teve uma exposição com diversas peças em 2015 no museu. Qualquer outra obra do fotógrafo humanista que venha a ser usada em uma exposição no MAR será automaticamente doada para seu acervo.
E a relação com a sociedade na construção do acervo também trouxe peças, como os arquivos de um fotógrafo do cotidiano do Morro da Providência, já falecido, encontrados por uma participante do programa Vizinhos do MAR. Como guardiã dessa memória encontrada, ela logo confiou ao museu o material tendo a certeza de sua preservação e pesquisa. Atualmente parte está exposta na mostra de Alexandre Sequeira, em uma instalação que faz um diálogo entre o trabalho do fotógrafo do Morro da Providência e o artista que dá nome à mostra.

As doações
Tudo isso significa um esforço de gestão do Instituto Odeon e da direção cultural do museu –  que contou com Paulo Herkenhoff até setembro de 2016 e hoje tem Evandro Salles como diretor cultural – para atingir o objetivo de constituir um acervo da e para a sociedade, estimulando o colecionismo por doação de indivíduos, empresas e outras entidades, tais como fundações. Assim, os rumos da coleção são determinados também pela própria sociedade civil em seus canais de apoio ao MAR, uma maneira de inclusão da sociedade civil na vida institucional. Há doações por indivíduos, empresas, galerias, fundações. É um processo de doações espontâneas que indicam uma confiança e vontade de participação. Os doadores do MAR não são apenas do Rio, mas também de São Paulo, Minas Gerais, Pará, Bahia, Ceará, Paraná, Distrito Federal e Goiás. Os doadores estrangeiros são dos Estados Unidos, Argentina, França, Costa Rica, Turquia, Portugal, Suíça, entre outros.

 

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