Programação

MAR na Academia: Seminário Internacional Biblioteca Walter Benjamin

8 de julho

14h

Inscreva-se aqui.

Walter Benjamin (1892-1940) deixou uma obra de extrema abrangência e fecundidade para pensarmos a arte e a cultura. Por isso, foi o autor escolhido pelo MAR para nortear um núcleo significativo em sua biblioteca. A instauração desse núcleo se dá por meio das inúmeras aberturas que seu pensamento proporciona. O Seminário Internacional Biblioteca Walter Benjamin tem por objetivo semear o trabalho para a biblioteca e oferecer ao público uma amostra da multiplicidade de caminhos percorridos pelo filósofo. Nada estava a priori fora do olhar desse pensador curioso, guiado mais pelo princípio (por ele mesmo estudado) do colecionismo – que é capaz de desrespeitar o contexto original em que seu objeto é situado para colocá-lo em outro – do que pelo espírito do sistema totalizante. Assim, o Seminário Internacional Biblioteca Walter Benjamin pretende, a partir dos assuntos e questionamentos desse autor, apresentar entradas plurais e sem hierarquias predefinidas para pensarmos o passado e o nosso presente nas esferas da arte e da cultura.

Luísa Duarte e Pedro Duarte, 
programadores

O MAR na Academia conta com o apoio da Accenture, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Secretaria Municipal de Cultura.

O Programa MAR na Academia é uma realização do Museu de Arte do Rio. Consultor: Leno Veras.

>> CALENDÁRIO

Quarta, 6/7 > Arte: olhar e colecionar

14h: Beatriz Sarlo e Peter Osborne

16h30: Susana Kampff Lages e Pedro Duarte

Quinta, 7/7 > Jogos: cultura e escrita

14h: Filipe Ceppas e Kátia Muricy

16h30: Maria Angélica Melendi e Sonia Kramer

Sexta, 8/7 > Modernidade: fotografia e cidade

14h: Ernani Chaves e Mauricio Lissovsky

16h30min: Márcio Seligmann-Silva e Maria Rita Kehl

>> PROGRAMAÇÃO

8 DE JULHO > MODERNIDADE: FOTOGRAFIA E CIDADE

14h: A inquietante estranheza da fotografia: retrato, imagem e fisiognomia em “Pequena história da fotografia” - Ernani Chaves

A recepção dos escritos de Benjamin sobre cinema e fotografia girou em torno da questão da reprodutibilidade técnica e da perda da aura. Traremos à discussão aspectos menos estudados desses escritos, mostrando a diferença – e a possível relação – que entretém, a partir do texto de 1931 sobre fotografia, os temas do retrato (Porträt), da imagem (Bild) e da fisionomia (Physiog-nomie), de modo a iluminar aspectos do ensaio de Benjamin, que serão retomados, nem sempre pela mesma perspectiva, em outros conhecidos ensaios da década de 1930. Ao associar à fotografia o efeito de Unheimlich, de “inquietante estranheza”, procuro também destacar a importância do diálogo, ou melhor, da confrontação de Benjamin com Freud num momento em que ele está em plena elaboração de seu conceito de “imagem”. A exposição será atravessada por imagens do fotógrafo paraense Luiz Braga.

Aquele que espera: Walter Benjamin e a fotografia - Mauricio Lissovisky

Desde quando o instantâneo se confundiu com a própria natureza da fotografia, a partir de meados dos anos 1920, as câmeras fotográficas tornaram-se mais claramente o que sempre foram. Não apenas “relógios de ver”, como as definiu Roland Barthes, mas “máquinas de esperar”. Máquinas para hesitar entre “é agora” e “não é agora”, entre “espero mais” e “não espero mais”. Só há fotógrafos nesse intervalo indeterminado que ocorre entre o olho e o dedo. Um intervalo que o filósofo Henri Bergson chamava de duração (ou memória) e em que o historiador benjaminiano escava sua imagem dialética. Fotógrafos e historiadores são "aqueles que esperam", pois de cada fotografia emana a radiação ultravioleta que glosa o texto de nossas vidas. Em cada uma delas inscreve-se o nosso destino. E o nosso destino não é o que nos tornamos ou o que deixamos de ser. Nosso destino é “aprender a ler”.

16h30: Walter Benjamin e as cidades: Berlim, Moscou, Paris - Maria Rita Kehl

Benjamin nasceu em Berlim, cidade que seu leitor virá a conhecer pelos olhos da criança: o zoológico, a rua Blumenshof, a praça do mercado, o bairro das prostitutas. Ao se apaixonar pela militante comunista Asja Lacis, visitou Moscou nos primeiros anos da implantação da utopia que mais tarde seria destruída por Stalin (mas disso ele não chegou a ter notícias). Escreveu também crônicas maravilhadas (algumas sobre efeito do haxixe) em Nápoles, em Marselha, em Ibiza. Mas nenhuma cidade foi tão íntima de Walter Benjamin quanto Paris, seu último exílio antes da rendição da cidade às tropas de Hitler. Paris que ele percorreu longamente, a pé – mas que enxergou acima de tudo pelos olhos de Baudelaire. Escolho, portanto, a Paris de Baudelaire para falar sobre a cidade sob a ótica de Walter Benjamin.

Walter Benjamin e a paixão pela cidade “porosa” - Márcio Seligmann-Silva

A importância da arquitetura e da cidade dentro da obra de Benjamin é destacada, apresentando-se tanto o local de sua teoria do espaço, como a relação entre seus conceitos desenvolvidos para descrever as cidades e sua teoria do conhecimento e da história.

>> CONFERENCISTAS

Ernani Chaves é professor titular da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Pará. Doutor em filosofia (USP, 1993), com estágios de pós-doutorado em Berlim (1999 e 2013), Weimar (2003) e Paris (2015). Autor de No limiar do moderno: estudos sobre Friedrich Nietzsche e Walter Benjamin (2003) e de inúmeros artigos e capítulos de livros publicados no Brasil e no exterior. Tradutor de Walter Benjamin, Nietzsche e Freud.

Márcio Seligmann-Silva é doutor pela Universidade Livre de Berlim, pós-doutor por Yale e professor titular de teoria literária na Unicamp. É autor de: Ler o livro do mundo (1999), Adorno (2003), O local da diferença (2005), Para uma crítica da compaixão (2009) e A atualidade de Walter Benjamin e de Theodor W. Adorno (2009). Também foi publicado no exterior e organizou nove livros. Foi professor visitante em universidades no Brasil, na Argentina, na Alemanha e no México. Atua em temas como romantismo alemão, teoria e história da tradução, teoria do testemunho, representação da violência, literatura e outras artes, teoria das mídias, teoria estética e sobre as obras de Walter Benjamin e de Vilém Flusser.

Maria Rita Kehl, psicanalista, jornalista e escritora. Atende em consultório particular desde 1981. Doutora em psicanálise pela PUC de São Paulo (1997) com o tema "A mulher freudiana na passagem para a modernidade (Emma Bovary). Autora, entre outros, de Ressentimento (2004) e O tempo e o cão, atualidade das depressões (2009), que recebeu o Prêmio Jabuti do Ano, em 2010. Participou, entre 2010 e 2014, da Comissão Nacional da Verdade; tema de investigação: graves violações de direitos humanos contra indígenas e camponeses no período 1946-1985.

Mauricio Lissovsky é historiador, redator e roteirista. Doutor em comunicação, professor associado da Escola de Comunicação da UFRJ, onde leciona roteiro para cinema e TV e teoria visual. Pesquisador do CNPq. Membro do Advisory Board do Centre for Iberian and Latin-American Visual Studies da Universidade de Londres, foi pesquisador visitante no Program of Latin-American Studies da Universidade de Princeton, em 2015. Como pesquisador, dedica-se aos estudos visuais, em particular à história e à teoria da fotografia. Entre seus livros sobre o tema estão Escravos brasileiros do século XIX na fotografia de Christiano Jr (1988), A máquina de esperar (2009), Refúgio do olhar (2013) e Pausas do destino (2014).

>> Confira a programação do dia 6/7 - Passagens: olhar e colecionar e do dia 7/7 - Jogos: cultura e escrita.