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A Pequena África e o MAR de Tia Lúcia

O Museu de Arte do Rio, sob a gestão do Instituto Odeon, abre ao público em 16 de novembro a exposição “A Pequena África e o MAR de Tia Lúcia – Homenagem a Lúcia Maria dos Santos”. 

Em estreita relação com a mostra “Mulheres na coleção MAR” e em diálogo com o festival Mulheres do Mundo (Women of the World – WOW), do qual o museu é parceiro estratégico, a exposição evidencia a potência artística de Tia Lúcia, ícone da cultura carioca, especialmente da região conhecida como a Pequena África. Com curadoria de Izabela Pucu e Bruna Camargos, da Coordenação de Educação do MAR, a mostra faz parte da programação de comemoração dos cinco anos da instituição, que inaugura um novo espaço expositivo na biblioteca da Escola do Olhar, consolidando as relações do museu com o território no qual está situado. 

Falecida em setembro de 2018, a baiana Lúcia Maria dos Santos sempre participou ativamente das atividades e festejos nas ruas e nas instituições da zona portuária, local que vivia desde que chegou ao Rio de Janeiro, ainda criança. De babá, função que começou a exercer com apenas 8 anos, a professora de artes e artesanato, Tia Lúcia ocupou a cidade e os espaços culturais instaurando e subvertendo os modos de ser e estar. 

Como diria a artista no jornal editado no âmbito do programa Vizinhos do MAR: “A primeira vez em que fui numa exposição foi sem querer. Eu era professora de catecismo. Quando eu voltava da missa da Candelária com as crianças elas escaparam e entraram no Centro Cultural Banco do Brasil. Eu tive que ir lá dentro buscar elas (...) Museu era coisa de rico, era muito difícil de entrar. Ficava aquela coisa grande e bonita, sem ninguém. O museu é de todo mundo e ao mesmo tempo não é de ninguém, não se pode negar o acesso às pessoas”. 

Como notado pelas curadoras da exposição:

“Muitos anos depois, na sua intensa relação com MAR - para ela, signo de união e também sua casa - Tia Lucia performou a tão sonhada apropriação dos espaços culturais pelas pessoas do seu entorno e da cidade, atuando não apenas como público, mas como protagonista de inúmeras oficinas e festividades, além de exposições como O Rio de Samba: resistência e reinvenção, ainda em cartaz. Ao inventar a si mesma como artista, ao vencer corajosamente as barreiras concretas e simbólicas que separam a cultura popular das manifestações artísticas legitimadas, Tia Lúcia nos ensina a construir novos modos de ser e de fazer para as instituições culturais. Modos de ser e fazer que, na sua melhor condição, requalificam a função da arte e nos ajudam a construir uma sociedade mais democrática, diversa e igualitária”.

“A Pequena África e o MAR de Tia Lúcia” apresenta um conjunto de obras da artista, como pinturas, desenhos e objetos, além de vídeos, documentos, fotografias e itens pessoais. A homenagem foi desenhada em parceria com os Vizinhos do MAR, na reunião mensal chamada Café com Vizinhos, em 06 de outubro deste ano. Parte dos itens que integram a exposição foram trazidos por moradores da região, por ocasião de uma conversa de galeria coletiva, ocorrida no dia 21 de outubro. 

No encontro, cada um dos presentes relembrou a história desta mulher emblemática, a partir de objetos que guardam a sua memória afetiva. Após a conversa, todos saíram em cortejo pela região da pequena África, embalados pelos integrantes do Afoxé Filho de Gandhi e do Carimbloco. Na Pedra do Sal o cortejo encontrou os integrantes da escola de samba GRES Feitiço do Rio, onde houve discursos e homenagens. Toda essa experiência foi filmada pela equipe do MAR e deu origem ao vídeo que também faz parte da exposição. 

Tia Lúcia deixou obras por toda a cidade e realizou exposições no Instituto Pretos Novos e no Centro Cultural José Bonifácio (CCJB). Sua imagem está gravada no Cais do Valongo e na escadaria de acesso ao Morro da Conceição, na Travessa do Liceu, por trás do Edifício Joseph Gire (A Noite). 

A exposição corrobora com o movimento feito pelo Museu de Arte do Rio pela valorização da produção de mulheres artistas, que conta com a abertura da exposição “Mulheres na Coleção MAR”, que também será inaugurada em 16 de novembro e ocupará o pavilhão de exposições do museu até maio de 2019. Esse movimento é reforçado pela parceria com o festival Mulheres do Mundo (Women of the World – WOW), espaço para que mulheres celebrem suas histórias de lutas e conquistas, também, homenageando as mulheres emblemáticas da região, entre elas Tia Lucia, com uma bandeira com sua imagem que será instalada na praça Mauá.

O Museu de Arte do Rio – MAR 

Uma iniciativa da Prefeitura do Rio em parceria com a Fundação Roberto Marinho, o MAR tem atividades que envolvem coleta, registro, pesquisa, preservação e devolução à comunidade de bens culturais. Espaço proativo de apoio à educação e à cultura, o museu já nasceu com uma escola – a Escola do Olhar –, cuja proposta museológica é inovadora: propiciar o desenvolvimento de um programa educativo de referência para ações no Brasil e no exterior, conjugando arte e educação com base no programa curatorial que norteia a instituição. O MAR é gerido pelo Instituto Odeon, uma organização social da Cultura, selecionada pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro por edital público. O museu tem o Grupo Globo como mantenedor. 

A Escola do Olhar conta com patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e da Prefeitura do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, Dataprev, TNA, In Press e BNY Mellon por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura - Lei do ISS. A Aliansce apoia as visitas educativas - Partiu MAR via Lei Rouanet. A Verde apoia o programa de Formação com Professores da Escola do Olhar via Lei Rouanet. A Vivo patrocina o programa de cultura MAR de Música 2018 através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. O MAR conta também com o apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, e realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal do Brasil por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

 

Serviço 

Biblioteca: 

A biblioteca do MAR funciona de terça a sábado, das 10h às 18h, e a entrada é gratuita. Visitas educativas podem ser agendadas as quartas, sextas e sábados, às 10h, pelo e-mail agendamento@museudeartedorio.org.br.