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Com obras inéditas na galeria da Biblioteca, artista investiga a transmissão de saberes entre gerações e territórios nas culturas negras brasileiras e afirma a ancestralidade como fundamento de criação, identidade e permanência

Terreiros, quintais, rodas e agremiações de samba aparecem nas narrativas do artista Guilherme Kid como espaços fundamentais de formação, preservação e circulação de conhecimentos. Ao reconhecer esses lugares como legítimos produtores de saberes, o artista da Zona Oeste do Rio de Janeiro, evidencia a memória compartilhada como instrumento de continuidade e afirmação das culturas negras brasileiras.

A partir dessa poética, o Museu de Arte do Rio inaugura no dia 18 de setembro “Quem me ensinou sabia”, primeira exposição individual de Guilherme Kid na instituição. O artista que já colaborou com o MAR em projetos anteriores, retorna agora ao museu para ocupar a galeria da Biblioteca com um conjunto de obras inéditas, resultado de uma pesquisa dedicada aos saberes transmitidos entre gerações e territórios nas culturas negras brasileiras. A exposição faz parte da programação do Festival ARUA Summit  e conta com a curadora da equipe MAR, formada por Marcelo Campos, Amanda Bonan, Jean Carlos Azuos e Amanda Rezende. 

Em suas pinturas, Guilherme Kid parte da escuta atenta e da vivência cotidiana para investigar como conhecimentos, memórias e tradições são preservados, compartilhados e renovados. A exposição também evidencia uma assinatura visual característica da produção de Kid, marcada pela presença de temas figurativos em suas pinturas, uma de suas principais marcas registradas. Nas obras, a dimensão cotidiana se articula à memória e à ancestralidade, criando imagens que refletem sobre os vínculos entre passado, presente e futuro.

No MAR, o mais carioca dos museus, a pesquisa de Guilherme Kid encontra um território especialmente potente para refletir sobre as formas de transmissão da memória e sobre os saberes que constituem a experiência cultural da cidade. “Quem me ensinou sabia” propõe, assim, um olhar para aquilo que se aprende na convivência, na escuta e na experiência — e para a força de quem, geração após geração, mantém esses conhecimentos vivos.