Soteropolitanos e turistas têm, a partir da terça-feira, dia 29 de setembro, mais uma opção cultural gratuita no roteiro dos museus da cidade de Salvador. Depois de uma temporada em São Paulo, com mais de 70 mil visitantes na capital paulista, a exposição Atlântico Sertão desembarca no Museu de Arte da Bahia (MAB), no Corredor da Vitória, com visitação de terça a domingo, entre 10h e 18h (o acesso à exposição só pode ser até as 17h30). Realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a mostra reúne mais de 80 artistas de diferentes regiões — em sua maioria do Norte e do Nordeste, apresentando, através da arte contemporânea, o sertão brasileiro como espaço de resistência e produção artística.
Idealizada pela mestra e doutoranda em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), Marina Maciel, que desenvolve pesquisa sobre a arte como meio de defesa dos direitos humanos, Atlântico Sertão tem curadoria de Marcelo Campos, curador-chefe do Museu de Arte do Rio (MAR), em parceria com Ariana Nuala, Amanda Rezende, Jean Carlos Azuos, Rita Vênus e Thayná Trindade. A exposição transforma a arte em instrumento de memória e elaboração crítica, em diálogo com os conceitos simbólicos de “Atlântico” e “Sertão”.
Por meio de pinturas, esculturas, fotografias, vídeos e instalações, os artistas se debruçam sobre o Atlântico, historicamente marcado pelos deslocamentos forçados e pela violência colonial e sobre o sertão, frequentemente associado a um espaço isolado e à marginalização. Na exposição, esses territórios são revisitados como espaços de criação, circulação de saberes, resistência e defesa dos direitos humanos.
Entre as obras que compõem o projeto, há trabalhos realizados especialmente para a exposição, dos artistas Rose Afefé, Biarritzzz, Alê Siqueira, Maré de Matos e Rebeca
Miguel. A maioria dos artistas é originária das regiões Norte e Nordeste, incluindocomunidades afrodescendentes e indígenas. Dos baianos, estão Adenor Gondim, Alê Siqueira, Ayrson Heráclito, George Teles, J. Cunha, Juraci Dórea, Leonardo França, Lita Cerqueira, Lucélia Maciel, Marcos da Matta, Márvila Araújo, Nádia Taquary, Rose Afefé, Bysmarke Vaqueiro, Ventura Profana, Yacunã Tuxá, Zé di Cabeça, Zumví Arquivo Afro Fotográfico e Àwọn arákùnrin oníṣẹ́-ọnà mẹ́ta.
Depois da temporada em Salvador, a mostra segue para Brasília, completando a itinerância iniciada em São Paulo.
A exposição Atlântico Sertão foi selecionada no Edital CCBB 2026-2027 e viabilizada por meio da Lei Rouanet. O projeto conta com o apoio da Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), do Instituto Guimarães Rosa, do Ministério das Relações Exteriores (IGR/MRE) e do Museu de Arte do Rio (MAR).
A mostra é uma iniciativa do Coletivo Atlântico, que se inicia no campo teórico, com a pesquisa de Marina Maciel, e parte para a prática ao focar em ações concretas de transformação por meio de intervenções artísticas.