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A Pequena África e o MAR de Tia Lúcia

Em estreita relação com a mostra “Mulheres na coleção MAR” e em diálogo com o festival Mulheres do Mundo 2018 (Women of the World – WOW), do qual o museu foi parceiro estratégico, a exposição evidencia a potência artística de Tia Lúcia, ícone da cultura carioca, especialmente da região conhecida como a Pequena África. Com curadoria de Izabela Pucu e Bruna Camargos, da Coordenação de Educação do MAR, a mostra faz parte da programação de comemoração dos cinco anos da instituição, e inaugura o espaço expositivo na biblioteca da Escola do Olhar, consolidando as relações do museu com o território no qual está situado.

Falecida em setembro de 2018, a baiana Lúcia Maria dos Santos sempre participou ativamente das atividades e festejos nas ruas e nas instituições da zona portuária, local que vivia desde que chegou ao Rio de Janeiro, ainda criança. De babá, função que começou a exercer com apenas 8 anos, a professora de artes e artesanato, Tia Lúcia ocupou a cidade e os espaços culturais instaurando e subvertendo os modos de ser e estar. 

Como diria a artista no jornal editado no âmbito do programa Vizinhos do MAR: “A primeira vez em que fui numa exposição foi sem querer. Eu era professora de catecismo. Quando eu voltava da missa da Candelária com as crianças elas escaparam e entraram no Centro Cultural Banco do Brasil. Eu tive que ir lá dentro buscar elas (…) Museu era coisa de rico, era muito difícil de entrar. Ficava aquela coisa grande e bonita, sem ninguém. O museu é de todo mundo e ao mesmo tempo não é de ninguém, não se pode negar o acesso às pessoas”.

“A Pequena África e o MAR de Tia Lúcia” apresentou um conjunto de obras da artista, como pinturas, desenhos e objetos, além de vídeos, documentos, fotografias e itens pessoais.

Como notado pelas curadoras da exposição: “Muitos anos depois, na sua intensa relação com MAR – para ela, signo de união e também sua casa – Tia Lucia performou a tão sonhada apropriação dos espaços culturais pelas pessoas do seu entorno e da cidade, atuando não apenas como público, mas como protagonista de inúmeras oficinas e festividades, além de exposições como O Rio de Samba: resistência e reinvenção. Ao inventar a si mesma como artista, ao vencer corajosamente as barreiras concretas e simbólicas que separam a cultura popular das manifestações artísticas legitimadas, Tia Lúcia nos ensina a construir novos modos de ser e de fazer para as instituições culturais. Modos de ser e fazer que, na sua melhor condição, requalificam a função da arte e nos ajudam a construir uma sociedade mais democrática, diversa e igualitária”.

“A Pequena África e o MAR de Tia Lúcia” apresentou um conjunto de obras da artista, como pinturas, desenhos e objetos, além de vídeos, documentos, fotografias e itens pessoais. A homenagem foi desenhada em parceria com os Vizinhos do MAR, na reunião mensal chamada Café com Vizinhos, em 06 de outubro de 2018. Parte dos itens que integram a exposição foram trazidos por moradores da região, por ocasião de uma conversa de galeria coletiva, ocorrida no dia 21 de outubro.

No encontro, cada um dos presentes relembrou a história desta mulher emblemática, a partir de objetos que guardam a sua memória afetiva. Após a conversa, todos saíram em cortejo pela região da pequena África, embalados pelos integrantes do Afoxé Filho de Gandhi e do Carimbloco. Na Pedra do Sal o cortejo encontrou os integrantes da escola de samba GRES Feitiço do Rio, onde houve discursos e homenagens. Toda essa experiência foi filmada pela equipe do MAR e deu origem ao vídeo que também fez parte da exposição.

Tia Lucia performou a tão sonhada apropriação dos espaços culturais pelas pessoas do seu entorno e da cidade, atuando não apenas como público, mas como protagonista de inúmeras oficinas e festividades, além de exposições como O Rio de Samba: resistência e reinvenção.

 

Tia Lúcia deixou obras por toda a cidade e realizou exposições no Instituto Pretos Novos e no Centro Cultural José Bonifácio (CCJB). Sua imagem está gravada no Cais do Valongo e na escadaria de acesso ao Morro da Conceição, na Travessa do Liceu, por trás do Edifício Joseph Gire (A Noite). 

A exposição corrobora com o movimento feito pelo Museu de Arte do Rio pela valorização da produção de mulheres artistas, que conta com a abertura da exposição “Mulheres na Coleção MAR”.