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Lugares do delírio

Num momento de desafios cotidianos ao que outrora pode ter parecido uma ideia inquestionável de racionalidade – como nos episódios recentes de intolerância que têm produzido violências inadmissíveis em escala local e global –, o MAR inaugura seu programa de exposições de 2017 com uma mostra dedicada ao delírio, força criadora que concerne a todos em sua capacidade política de reposicionar a razão. Se o século XXI tem nos impelido a rever o senso (em especial, o “bom senso” e o “senso comum”), não poderíamos fazê-lo sem reconsiderar também o “dissenso” e o nonsense, aquilo que hipoteticamente não possuiria laços de sentido. A partir dessas indagações, Lugares do delírio foi idealizada há mais de dois anos por seu primeiro diretor cultural, Paulo Herkenhoff. A seu convite, a curadora Tania Rivera propôs uma delicada trama de experiências, obras e projetos que dão a ver formas de resistência e de agenciamento de forças inconformes a modelos de racionalidade.

Dando sequência ao programa Arte e Sociedade no Brasil – eixo curatorial dedicado a aspectos urgentes à vida social no país, como moradia e educação –, esta curadoria de Tania Rivera é resultado de um abrangente projeto de comissionamento de obras. Por meio deste, o MAR fomentou a convivência e a colaboração entre experiências diversas de criação na cidade do Rio de Janeiro, como no programa de residências realizado em parceria com o Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea ou no apoio ao Grupo Arte + Cuidado. Ao mesmo tempo, Lugares do delírio é uma oportunidade ímpar de, sem distinguir usuários e não usuários do sistema de saúde mental, entrecruzar trabalhos de artistas de outras partes do Brasil e do mundo – alguns deles icônicos, como a obra de Fernand Deligny em torno do autismo. Cientes de que a heterogeneidade deste projeto foi especialmente possível dada a rede de colaboração formada em seu redor, agradecemos a todos os artistas, emprestadores, pesquisadores e instituições engajados na construção desses Lugares do delírio.

Oportunidade ímpar de, sem distinguir usuários e não usuários do sistema de saúde mental, entrecruzar trabalhos de artistas de outras partes do Brasil e do mundo – alguns deles icônicos, como a obra de Fernand Deligny em torno do autismo.