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Pardo é papel

26 de novembro de 2019 – 24 de maio 2020


“Pardo é Papel”, individual de Maxwell Alexandre, é recebida pelo Museu de Arte do Rio e pelo Instituto Odeon como reafirmação da vocação que o MAR conquistou em seis anos de existência. Enfrentar o espelho, se reconhecer, escutar, afirmar o que interessa e prosseguir. Essas são tarefas para um museu que se coloca em diálogo com uma cidade e sua vizinhança. Que heranças queremos fortalecer?

Maxwell Alexandre, jovem pintor carioca, morador da Rocinha, elabora uma reflexão sobre uma cor, fato mais do que recorrente na história da arte, que vê na forma e na cor elementos de sua própria linguagem. Porém, aqui, o pardo é ressignificado pelo artista, nos levando a outras direções. Ao produzir autorretratos sobre papel pardo, MW (assinatura do artista) passa a perceber que estava, também, diante de um ato político: pintar corpos negros sobre papel pardo. Os estigmas são assumidos e revertidos. A cor da pele negra, confundida com a cor do papel, retorna como condição de resistência, como reação: “pardo é papel”. Congregam-se, assim, arte e cultura, forma e subjetividade.

Ao trazer essa itinerância, um museu como o MAR ratifica os modos, sensações e lugares com os quais nos interessa dialogar: a escola, a diversão, o museu, a laje, a sala familiar, a rua, a igreja. Tudo isso se apresenta nas pinturas do artista. O museu, então, se repensa como signo de distinção, e nele a inclusão passa a ser meta. Lugar historicamente de ostentação de bens, o museu que nos interessa continuar deve reverter a periferização, transformando-a em autoestima. E, sobretudo, aceitar a pletora de cores já mais do que vivenciada pela cidade que se repensa a cada dia, na luta, no azul-celeste dos uniformes escolares e das padronagens das piscinas, onde nos refestelamos aos domingos.

Pensar museu, pensar cidade.

Carlos Gradim, diretor-presidente do Instituto Odeon

Marcelo Campos, curador associado do MAR